Produção de músicas com efeitos sonoros

  • Posted on: 15 March 2017
  • By: Gabriel Schuck

E aí pessoal!
Espero que esteja tudo bem com todos.

Hoje quero falar sobre os efeitos sonoros nas produções musicais e o resultado que pode ser obtido com a utilização dos mesmos.

Os efeitos sonoros inicialmente foram e continuam sendo fenômenos da natureza, do mundo em que vivemos e que inclusive é estudado pela própria física.
No nosso dia-a-dia, produzimos e ouvimos sons em diferentes ambientes e percebemos como esse som se propaga.
Já teve alguma vez que você, no seu banheiro, tomando banho de chuveiro, começou a cantar,e ficou impressionado, como se realmente você estivesse bem afinado?
Esse é um tipo de efeito bastante comum que ocorre tanto em banheiros quanto em outros lugares grandes como ginásios, dentre outros.
Ou então, situações em que você, estando diante de um grande morro, falou algo como: "oi!" E escutou novamente o "oi" repetidas vezes.
Esse talvez é mais conhecido que o outro, costuma ser denominado pelas pessoas como um eco, o que não deixa de ser verdade, porém, ambos os efeitos não produzem o mesmo eco e recebem a mesma denominação de forma errônea, dando a entender que ambos são repetitivos.

O primeiro deve ser chamado de Reverb, ou então, de forma mais literal para a língua portuguesa, reverberação.

Nos presentes dicionários, consta que a reverberação é o ato de brilhar (luz) ou refletir (calor).
É quase semelhante o que acontece depois que o som é gerado, em virtude das paredes, que possuem naturalmente materiais refletores e que conseguem fazer o som refletir.
Como geralmente são muitas as paredes com a capacidade de fazer o som se refletir, além das ondas sonoras terem onde se propagar devido ao imenso espaço dos lugares, elas acabam também predominando-se e gerando outras até todas enfraquecerem.
Isso faz com que o som acabe por ser mais constante, contínuo.

Como o reverb consegue ser muito influente, acabou sendo o primeiro efeito de embelezamento sonoro a ser amplamente usado até hoje, pois foi uma boa solução encontrada como um complemento para as músicas, das quais, os produtores e músicos não tinham ideias dos elementos a colocar para preenchimento.
Hoje, praticamente se utiliza reverbs digitais, gerados a partir de processadores de efeitos ou de softwares. Mas, antigamente, próximo aos estúdios, haviam lugares reservados e projetados para que o efeito pudesse ser emitido acusticamente.
Eram grandes e tinham caixas de som, que recebiam o som proveniente do estúdio ou do lugar onde faziam as gravações, além dos microfones que captavam de longe o som ambiente e que mandavam de volta para o estúdio. Com certeza era uma gambiarra o que era feito.... Tudo era interligado apenas para produzir o efeito, quando a tecnologia estava ainda engatinhando.

Outras alternativas mais rudimentares de produzir reverbs era com base em peças físicas e móveis.
Otipo mola (usado em amplificadores de guitarra) e o tipo plate (característico das gravações antigas, como muitas do estilo Jovem-guarda e outras da década de 60).
Ouça essa música do The fevers - Mar de rosas

e também Giane - Dominique

e preste atenção no reverb.

Bem, agora vamos ao segundo efeito! O famoso eco!
Esse efeito é conhecido atualmente pela expressão delay.

Traduzindo novamente de forma literal, delay (do inglês) significa atraso.
É muito simples: Você fala "oi!" O som tenta se propagar, mas bate nas rampas e em outros obstáculos e acaba voltando.
E sabe o que é mais interessante? O som que você ouve, que é a repetição do som original, faz o mesmo processo.... Bate na rampa e, como não tem onde propagar, volta, desta vez a uma distância um pouco maior, que significa o enfraquecimento do eco, ou então, o término da repetição sonora. Por isso de ser chamado de delay.
O delay está indicando o tempo que o som leva pra voltar.

Bem, não é uma explicação exata, mas dá pra ter uma ideia do que ocorre.
O delay foi um dos primeiros efeitos que a tecnologia conseguia imitar, ainda com bastante precariedade.
Na música, o efeito serviu como inspiração para dar asas à criatividade.
Por exemplo, o canto yodo ou yodel(jodler como é mais conhecido na Alemanha, muito utilizado no estilo Volksmusik), provém do eco das montanhas que ocorria quando os alpes alemães se comunicavam.
Tiveram então a idéia de usar o fenômeno como um elemento de contraponto, como pode ser observado nas músicas de Franzl Lang.

Será que os fissurados por áudio iam ficar tão loucos assim e colocar uma caixa de som instalado em algum morro ou em algum lugar possível de ser utilizado pra interligar, captar e mandar de volta pro estúdio só pra gravar o efeito? hehehehehehe!

Agora você saberia dizer qual dos dois efeitos tem um eco ambiente e um eco propriamente dito?
E a tecnologia?

A tecnologia transformou o delay e o reverb em efeitos digitais, foi a base para que conseguisse manipular as ondas sonoras para a criação de novos efeitos, alguns, inclusive, com base nos que já existia.
Por exemplo, é fantástico quando você fica parado, em pé, em algum lugar aberto, de repente passa um avião em cima de você, lá no alto, que dá aquele efeito proveniente de avião mesmo voando em cima de sua cabeça.
Foi assim que surgiu um efeito, chamado flanger.... Esse aí é mais difícil de explicar, porque já estamos falando de efeitos extremamente complexos, que ficaria difícil de entender facilmente.

Mas ainda com relação ao delay, hoje já se usa esse efeito de forma rítmica nas músicas e ainda com a manipulação dos canais de forma individual, tanto do direito (right) quanto do esquerdo (left). Acaba criando por exemplo um "ping pong". Ouça um exemplo disso neste remix de Dalas Company - Galera de Calboy

Preste atenção já no começo da música o "ping pong" do delay de acordo com o ritmo.

E agora com mais essa ferramenta em mãos, que são esses efeitos, as possibilidades são cada vez maiores, novamente, dependendo da criatividade da pessoa.

Bom, espero que tenham gostado, qualquer coisa, postem algo nos comentários!
Um forte abraço pra todo mundo!

E agora deixa eu ir lá refrescar um pouco a memória... Chega de ficar pensando nas gambiarras que eram feitas... Uma coisa é fato: Agora com a evolução, os fissurados em áudio ficaram mais loucos ainda!

Categoria: