Será que a tecnologia está sendo usada corretamente para produzir boas músicas?

  • Posted on: 2 October 2015
  • By: Gabriel Schuck

Olá galera!
Espero que estejam todos muito bem!
Estava vendo aqui o que poderia trazer para vocês de útil.
Pensei um pouquinho e resolvi escrever algo menos técnico mas que ao mesmo tempo tem relação com o tema proposto neste espaço:
Será que a tecnologia, com toda a sua evolução, continua a ser usada de forma eficiente para produzir boas músicas atualmente?
E o que será que se espera para o futuro com relação a isso?
Lembro perfeitamente quando estava na época de minha infância escutando as músicas daquele tempo que meu pai tinha colecionado quando atuava como discotecário.
Eram vários da década de 90, 80, e até 70 e 60, que não teria mesmo conhecimento apesar de ouvir mesmo tendo nascido em 91.
É necessário deixar bem claro isso, porque muitas pessoas já comentaram comigo que, por ter nascido naquele ano, eu não tenha conhecimento ou não poderia falar sobre artistas e bandas de décadas anteriores.
Posso citar aqui vários exemplos, como Elvis Presley (54 a 77), The beatles (60), Abba (72), Simon & Garfunkel e por aí vai.
Com isso, acabei adquirindo gosto por diversos estilos musicais e ao mesmo tempo posso dizer que fui acompanhando os progressos da música.
Algumas pessoas também falaram que é na década de 90 que a música estava em decadência, apesar de coisas boas que ainda tinha, mesmo sendo poucas, o que é realmente verdade.
Acho, no entanto, que a sonoridade alcançada pelos músicos e produtores, numa época em que não existia o que existe hoje, é realmente impressionante e, pelo menos pra mim, supera de certa forma a qualidade sonora das músicas mais atuais.
Isso explica muito bem porque hoje, quando a moda era "Ai, se eu te pego" ou, pior ainda "If I catch you", uma criança já sabia cantar mau tendo nascido a este mundo.
Quer dizer que, assim como a educação está ficando cada vez mais precária, a música também está.
A década de 90 pra cima é uma representação do que iria mudar na indústria fonográfica.
As músicas passaram a ter o que a gente chama hoje de Loudness Warm.
Mas que diabos é isso?
Calma, eu explico direitinho....
Loudness Warm foi um termo pejorativo que encontraram para classificar a "guerra do volume".
Você imaginaria o que seria isso?
Bem.... Deixa eu te ajudar:
Imagine que quando você está ouvindo uma música nos seus fones de ouvido ou caixas de som, você esteja diante de um palco sonoro, supostamente num show.
O produtor tem a liberdade de por a disposição os instrumentos da maneira como ele achar melhor, por exemplo, colocando a guitarra um pouco pra direita, um piano no meio com um reverb para dar sensação de distância e ambiente, outra guitarra deslocada um pouco pra esquerda e assim por diante.
Isso inclui também uso de equalizadores, para cortar frequências que geram conflitos com frequências similares de outros instrumentos.
O que acontece é que, da época de 94 pra cima, começaram a ser exploradas outras possibilidades na produção, mixagem e masterização.
Efeitos como compressores e limitadores começaram a ser usados em grande escala e as produções foram perdendo a dinâmica dos instrumentos, apesar de ter servido como uma evolução para a música eletrônica e dance.
A partir do uso excessivo desses efeitos é que acontece a guerra do volume, onde os sons dos instrumentos acabam se guerreando e todo mundo quer soar mais que os outros.
Hoje, das bandas que surgem, os músicos não conseguem identificar a dinâmica correta dos seus instrumentos em conjunto quando a mesma se faz necessária.
As pessoas não percebem esse fenômeno acontecendo , principalmente em volumes extremamente altos, em mp3's, ipods e outros reprodutores de música. Provavelmente chegaremos a um cenário em que vamos ter músicas tão altas quanto a capacidade de volume desses players.
As pessoas, principalmente jovens, tendem a perder audição já cedo.
Malditos produtores! Ouça a música Wonderwall do Oasis que vocês vão ver como ela parece ser poluída sonoramente. De preferência num volume alto.

existem outras referências em que a produção da música faz o áudio "clipar".
Por sorte esta que está acima o produtor tomou certos cuidados.

 

Penso que estamos vivenciando uma situação em que se espera que a tecnologia faça pelo músico e não que o músico faça com a tecnologia.
Por quê?
Bem, acho que os instrumentos, por si só, são um exemplo da constante evolução do ser humano.>
O homem sempre procurou desenvolver ferramentas com o que podia para tentar chegar a uma sonoridade a mais perfeita possível.
Instrumentos de cravo, por exemplo, com o som que tinham, hoje certamente não se escutam mais.
No entanto, obras que foram executadas usando esse instrumento parecem alcançar um resultado tão bom, como se isso não fosse o limite da criatividade.
Isso aconteceu mais tarde com os outros instrumentos.

O piano, por exemplo, teve que passar por aprimoramentos para ter a sonoridade que tem hoje.
Mesmo assim, os músicos o utilizavam para compor peças brilhantes.
Reconheciam a limitação imposta desse e outros instrumentos, mas sempre tentavam aproveitar o máximo potencial que estava nas mãos deles.
A evolução dos instrumentos com certeza fez parte para o desenvolvimento da tecnologia, ciência que representa toda essa evolução em todas as áreas do conhecimento, em especial na arte.

Mas parece que diante de toda essa progressão, a música decaiu muito....
Comparando as músicas de antigamente com as atuais, parece que mudou completamente o conceito de se fazer música com essas ferramentas....
Algo como: Com tudo isso, eu chego a um resultado tão bom sem precisar de muito esforço pra isso.
As gravadoras pressionam os artistas para comporem  músicas nada criativas e a música está mais para marketing, como um material vago, do que   para o que ela realmente deveria ser para as pessoas:  Uma linguagem universal que transmitisse sentimentos   e sensações.
Será que estamos ainda fazendo música de corpo e alma?
Será que seria bom se tivesse como voltar no tempo de novo, pra ouvir músicas de músicos que tem a música acima de qualquer coisa, inclusive da própria evolução?
Pra mim música não depende só do que eu tenho a disposição. Se a música não partir de mim, isso pra mim não vai significar absolutamente nada!
Quando não posso estar na frente do instrumento, uso o meu próprio corpo pra fazer música enquanto, por exemplo, fico esperando alguém chegar pra me buscar, ou estou em um outro lugar qualquer que só esteja meu corpo ali parado.

Não sei como, mas me empolgo só pelo simples fato de bater no tênis e no peito para criar ali mesmo uma bateria corporal hehehe! Estou fazendo música!

Imagina se agora os músicos de antigamente usassem o que existe hoje?
Com certeza a música não seria como é hoje.
Eu faço música com muito pouco e faço sucesso com isso.
Basta poucas letras, poucos acordes, poucas notas... Uma simples batida só pra dar um charme.... pronto!
Tá feito a música.
Não!
Música vem da pessoa! Assim como a criatividade também!
Tudo o que é necessário para se fazer música sempre vem da pessoa que quer fazer música e não das ferramentas que ela pode usar pra isso. Elas foram criadas para facilitar a vida do músico, mas não de tal forma que ele não precise fazer muito esforço para usá-las.
Importante ressaltar que não estou querendo dizer com isso que a música deve ser complexa. Muitas músicas possuem a sua simplicidade e transmitem sentimentos e possuem o seu valor. Mas a criatividade é a peça fundamental para uma boa composição.
Mas acredite.... Se a situação atual da música está desse jeito.... São  culpa das pessoas  que estão vendo a criatividade andando solta por aí em algum lugar.
Pior ainda é quem aprecia. Isso não ajuda em nada.
A mídia vai empurrando goela abaixo e as pessoas não se importam.
Toca nos bailes, nas festas, nos players.... E todo mundo ouve sem saber o que exatamente a música quer transmitir de sentimentos, só sabe que é contagiante e ouve porque tá na moda ouvir.
E você, o que pensa sobre isso?
E o que nos espera para o futuro?
Será que vão inventar computadores artificiais com a habilidade de fazer música sozinho?
Será que a tecnologia não está se tornando prejudicial para quem está usando dessa forma?
Bom, temos que esperar para ver.
Mas, do meu ponto de vista, esta é a realidade que estamos presenciando na música.
Não podemos fazer algo com o mínimo de esforço possível.
Dedicar-se a música por exemplo não é tão simples quanto parece, ao mesmo tempo que não é tão impossível e difícil.
Depende da pessoa!>
Assim também é para fazer música. Não depende do que você vai usar pra fazer. Depende só de você.

 

Bom, assim, finalizo este texto, que ficou grande, por sinal.... rsrs.
Parabéns quem teve a paciência de ler até aqui.
Comecei a escrever sem ideia do que ia dizer e fui escrevendo e começaram a vir muita coisa.
Mas, enfim, comentem, divulguem, aproveitem, reflitam.
Abraços!